quinta-feira, 14 de março de 2013

O ser eclético

Dias atrás, ao ser perguntado pelos alunos sobre o estilo de música que gostava, respondi que era eclético.

Claro que sempre tem aquel@ alun@ que quer questionar tudo e pergunta: "O sr. gosta de tudo? Gosta de pagode? Gosta de sertanejo?" - el@ sabia que não. "Então não pode ser eclético!"

Dar aulas de Filosofia no Ensino Médio, sobretudo na rede pública, é dialogar diariamente com o senso comum ou com as definições mais rebaixadas de algum termo ou conceito. Existe uma definição - já apropriada por todos - que ser eclético é gostar de tudo, entretanto existe também a definição que é a de "gostar de coisas diferentes; experimentar de tudo".

Se formos mais a fundo - geralmente o intuito da Filosofia -, o eclético na Filosofia é você ter liberdade de escolha sobre aquilo que julga melhor, principalmente na política e nas artes. Portanto, junto as definições lexical e filosófica, isto é, experimento de tudo (nas artes, pois politicamente não sou eclético) e depois escolho aquilo que julgo melhor.

Mas por que escrevo sobre "o ser eclético"?

Ontem, percebi que conheço duas músicas totalmente distintas de estilo com o mesmo nome: On the other side.

Uma é do The Strokes e a outra do The Gladiators. Sendo a primeira um rock britânico e a segunda um reggae.

Além dos estilos diferentes, as músicas têm temáticas diferentes falando da mesma coisa. O reggae como sabemos não é uma música daquela galera que usa dreadlocks e só fala sobre a descriminalização ou naturalização do uso da cannabis sativa; é uma música que fala sobre igualdade social, utiliza termos bíblicos e fala sobre o amor. Já o rock também fala sobre os mesmos temas - de maneira diferente.

Nessas duas músicas particularmente, Casablancas e Fearon querem dizer a mesma coisa! Entretanto enquanto Fearon quer ir para o outro lado da montanha (utiliza uma metáfora bíblica), Casablancas quer ir para o outro lado da consciência.

Fearon diz que para ir para o outro lado você precisa estar com a mão e o coração limpos e Casablancas diz que está cansado de ser "julgador" ou "crítico"  de tudo que vê e que sua mente é tão cega quanto uma árvore, isto é, quer esvaziar a mente.

Sendo eclético, percebi que precisamos, então, estar não só com o coração, mas também com a mente limpa para atingir o "outro lado".

Agora esse outro lado você que deve escolher, se será o melhor ou pior lado, pois tanto da montanha como da vida há tanto o lado espinhoso  e inóspito quanto o vale e o campo verdejante.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O poeta é um fingidor?

Antes de começar a postagem, é pertinente falar um pouco do ostracismo do ano passado... O ano de 2012 foi um ano de muitas mudanças. Mudei de emprego, mudei de vida (agora sou o Sr. Vitoreli Parreira), mudei inclusive a militância (passei a militar com os professores da rede estadual). Com as mudanças vêm diversas coisas novas que são dificilmente encaradas pela humanidade.

Claro que o parágrafo acima tem a ver com a postagem, pois aprendemos, ao ler um texto, que nada é gratuito.

Pois bem, muitos gostam de citar gratuitamente autores tirando um pequeno excerto de suas obras e muita vez fazendo injustiça a ele.

Como no caso de Fernando Pessoa que citam somente "O poeta é um fingidor / finge tão completamente / que chega a fingir que é dor", mas "esquecem" (coloco entre aspas porque alguns fazem propositadamente) a última estrofe do verso que é "a dor que deveras sente".

Muitos denigrem o trabalho do poeta que é o de trabalhar com as palavras, trabalhar com a linguagem. Outro dia falei "vou escrever sobre tal coisa" eis que recebo a resposta: QUANDO VOCÊ VAI SE INTERESSAR POR COISAS IMPORTANTES? (em capslock porque foi uma repreensão). Ora, se trabalhar não é importante, o que seria então? Claro que cada um tem o seu trabalho, todos dignos, mas dizer que poesia não é trabalho é no mínimo preconceito. O que seria de nós sem as belas letras? Da mesma maneira que o que seria de nós sem qualquer outra profissão. Nunca direi a um desses que o trabalho deles não é importante.

Muitos ainda citam o o pequeno excerto acima dizendo que o que o poeta sente não é dor. Mas afirmo: É DOR! E dor daquelas que não consegue se expor a ninguém, nem mesmo a pessoa que mais ama. Não consegue falar sobre essa dor, pois muita vez se o faz, fica pior do que estava. ele não consegue se resolver, então escreve. O melhor dos intérpretes são aqueles que expõem a dor que está na letra. Não a dor que o poeta sentiu, mas a sua própria.

Portanto, nesses dias em que percebi a mudança e que talvez não estava colaborando com ela, escrevi o seguinte poema:


Já falei do choro

Do choro do homem
Do choro calado
Do choro sofrido
Do choro que vem
Do choro cantado
Do choro gemido

Como falei ontem
Hoje falo de novo
Amanhã falarei mais
Do choro do homem
Do choro do povo
Que não olha pra trás

Olhar o passado
Resignificar a vida
Perceber que não se é nada
NADA!
NADA!
NADA!


CONS
CONCERTE-SE!
jan/2013


Não acho interessante ficar explicando o que eu quis dizer, mas é importante salientar que já tinha escrito (várias vezes) sobre o ato de chorar e por isso o poema chama-se "Já falei do choro" e o final você escolhe se quer se "consertar", ou se "concertar" ou as duas coisas!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Here goes the Sun



Pegando o exemplo dos meus colegas jornalistas, peguei um título que tem a ver com o que eu vou escrever fazendo menção a algo, porém, como não gosto dos besouros - segundo o Zé Yoshitake, os backstreet boys de Liverpool (risos) - coloco o sentido contrário do título da música, mas não tinha o porquê de eu colocar o título da música, pois lá se vai o Sol...

Numa sexta-feira, no finalzinho de uma aula espetacular com o Prof. Francisco De Ambrosis P. Machado sobre o surrealismo e Walter Benjamin, olho para o pôr do Sol e vejo a imagem acima. Na mesma hora escrevi:
Here Goes the Sun
Numa sociedade espetacular em que tudo torna-se espetáculo, focando no efeito e não na causa, vai o Sol. Um espetáulo não mais apreciado...
Ele que ilumina até os que não merecem, sai de cena. Sai de fininho, escondendo-se no horizonte, muita vez nas montanhas, quase sempre atrás d'um prédio.
Se antigamente os moradores de um vale eram desfortunados, por terem uma visão limitada, o que diríamos hoje dos desaventurados moradores das grandes cidades?
Ao ver o pôr do Sol da cidade, sobretudo quando podemos avistá-lo deitar sobre o monte, vemos como um refúgio, uma escapadela. É possível vislumbrar uma saída.
A poluição que nos enxaqueca, deixa o espetáculo ainda mais bonito. Que paradoxo!
Vai Sol, vai você que só é vispivel nesse momento quase sempre invisível, dá lugar àquela que ao céu límpidosempre é vista, esceto em sua novidade.
Arlley Parreira

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Uma poesia ao grande amigo e irmão

Conversando esses dias pelo caderno de cara vulgo Facebook com meu amigo, irmão e camarada republicano (Da República Ideal dos Pimentas) Danilo Santos acabei pensando numa poesia. Chamo-o de amigo e irmão porque me identifico muito com ele. Ambos somos muito parecidos em muitas coisas, além de gostarmos de arte, cinema, filosofia, poesia e Chico Buarque. Este último, aliás, que me influenciou a escrever essa poesia baseada em "Construção". Lógico que não ia chegar aos pés desse monstro, mas... Vale a pena dar uma olhada na poesia abaixo:

Antropofágico
Para viver num mundo trágico
Muita vez se faz de mágico
Tenta ser chato, mas é cômico
A injustiça lhe causa vômito
É artista-ator-malabarista-fotógrafo
Socialista-cineasta-equilibrista-filósofo
Não gosta de seguir o léxico
Talvez um dia vá ao México
Olhar o mundo por outra ótica
Talvez com uma visão caleidoscópica
Talvez a olhar pássaros
Ou a fotografar cágados.

Esse é um singelo presente ao meu amigo e irmão Danilo Santos que como eu, é um pimenteiro convicto!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Poesia

Ao ver a “pré visão” dos mentirologistas que choveria, resolvi ir à Paulista ver Poesia de metrô.

Com a ajuda do meu irmão Alex Parreira, consegui chegar cedo. Só foi uma pena não ter conseguido visitar Dom Ávila. Faz muito tempo que não o vejo e todas as vezes que nos vemos e mote de muita emoção para mim. Como um pupilo medieval, fito minha atenção nele sem desviar um segundo sequer.

Pois bem, no metrô tentei pegar meu texto de Filosofia Antiga e ler. Não consegui. Dois pares de conversadores chamaram-me a atenção.

Uma vez numa palestra, um professor disse que se quisermos falar sobre pessoas, devemos observá-las. Discordo. Penso que devemos vivê-las. Devemos mais que observar estar onde elas estão e ali, pela experiência tentar descrever nossa emoção. Não sou bom nisso, estou aprendendo. Aliás, tentei fazer isso no post anterior, mas não consegui. Contudo como diz o Alex Villas Boas, só escrevendo conseguimos progredir.

A personagem de Poesia faz um pouco desses dois. Em uma sala cheia de alunos, ela é a única a expressar que “é difícil escrever um poema” e faz todo o trajeto de outra personagem, vivendo onde ela viveu, fazendo tudo o que ela fez, passando por onde ela passou e nessas passagens faz suas anotações, escreve.

Assim como a personagem no filme, eu, num pequeno trajeto de metrô, percebi o quão feio é o mundo.

Um dos pares do metrô tentava convencer um “amigo” a entrar num negócio com ele. Em seu discurso de frases feitas, dignas de vendedores PAP de última linha, lá pelas tantas ele solta: “Meu, se ali fora tivesse um Camaro (que eu nem sabia que carro era) por novecentos contos, você não ia conseguir a grana amanhã?”. Na hora percebi que esse “negócio” tratava-se desses “negócios piramidais”, esses engana-trouxas que faz muito amigo tornar-se ex-amigo.

Já do outro lado, um casal conversando com todo lirismo era antagônico às violências que o “amigo” dizia para o outro. Sim, porque ficar jogando palavras decoradas e citar nomes que nem se sabe quem é, é violência.

Assim é o mundo. Enquanto de um lado tem o vampiro sugando, temos que procurar algo para desopilar o estresse. Cada um achará o seu claro.

A personagem buscou esse refúgio na poesia.

Como diz o poeta no filme: “Não é difícil escrever um poema, difícil é encontrá-lo no nosso coração" e, muita vez, por mais que não queríamos mexer nesse “lugar” ela aflora, brota, nasce, enquanto outras vezes é “pisoteada e amassada para viver outra vida”.

Independente da maneira que ela nasça, parafraseando o poeta, num mundo onde a poesia está quase morta, é imprescindível que ainda haja amantes da poesia.

Chang-dong Lee mostra-nos através de imagens belíssimas que a vida pode ser feia, enquanto a nós resta-nos em nossas metrópoles feias tentar ver que a vida pode ser bonita.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Entre a Coroa e o Vampiro

Hoje fui ao Espetáculo – assim mesmo com letra maiúscula – da Cia Antropofágica na sede deles na Barra Funda.
O Espetáculo me deixou com uma espécie de movimento interior que a princípio pensei ser a catarse, mas acho que não. Foi muito maior. O Espetáculo te prega várias “peças” (literalmente). No prólogo você acredita que ele vai para um lado, daí você vai para o Espetáculo propriamente dito e desde já começa a emocionar-se, emoção que é quebrada no momento em que vê um movimento de atores que indica uma coisa, mas na verdade prega-lhe a primeira (de muitas) peça.
Conduzido com atuações soberbas a peça faz um apanhado histórico e comenta o tema pretendido – O Império – com altivez e atualidade.
Pode ser que o espectador mais conservador pense em achar que o tema não foi esclarecido e que não se falou tanto do que se deveria falar, mas foi falado sim, é só prestar atenção! Aliás, existe um momento que o diretor até explica isso que eu não vou, é claro, contar quando.
Tudo é perfeito! Produção, atuação e música. Essa última sendo 95% ao vivo. Quanto às atuações nem preciso repetir e a produção muito cuidadosa, abrindo as coxias em quase todos os momentos e víamos e acompanhávamos o processo de produção, criação e o desenrolar da peça.
Senti-me sem o muro e sem o abismo que Benjamin fala que o teatro de Brecht não tinha. Por isso talvez senti-me tão dentro da peça e a peça (refiro-me ao Espetáculo) tão dentro de mim. Talvez também por falarem de uma atualidade tão latente e que sempre esteve e quiçá sempre estará nos nossos dias, exceto que haja uma mudança de baixo para cima da sociedade: Viva la Revolución!
PS: No Espetáculo – seguindo o estilo multimedia do teatro vinteuneano – há um momento para os cinéfilos em que quase caí de tanto rir, um plus! Definindo em uma palavra: SENSACIONAL!
Vejam vocês
A escória nos cercou
Temos nossa decisão
Nossos braços cruzados
Suas máquinas paradas
Nenhum acordo com patrão

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A day with Don Francis (O valor de um obrigado)

No mundo de hoje temos que estar conectados o tempo todo. Ligo o computador. Coloco as chaves de acesso (é, até o computador é burocrático), abro meu correio eletrônico e vejo uma mensagem que tinha recebido no dia anterior. Paralisei... Depois de dez segundos parado frente a tela, liguei para uma amiga que se interessaria pela mensagem. Disquei. A espera para chamar parecia passar todo o tempo do mundo, assim como o culpado espera o golpe de misericórdia do carrasco. Até que toca... toca... toca... Ninguém atende, a não ser a secretária eletrônica. Não sou muito bom com telefones nem com secretárias, secretárias eletrônicas então... Deixei um recado numa fala misturada de efusividade com asma emocional atropelando as palavras, tempos verbais, pronomes, sujeitos e predicados. Dali algumas horas haveria pré-estréia com a presença do maior cineasta de todos os tempos: Francis Ford Coppola. Apesar do preço salgado, valia. Não é todo dia que se participa de uma pré-estréia e coquetel com o Coppola. Depois de meia hora a Cris Ferraz (minha amiga) me liga. Disse que viu o correio eletrônico e minha mensagem na secretária. Como ela morava a duas ruas do local do evento, comprometeu-se a comprar os convites, mas não conseguiu. Ligou de novo depois de alguns minutos dizendo que a leva dos convites ficara apenas dez minutos na bilheteria. Malditos internautas! Não desisti. Disse a ela que tentaria de qualquer maneira. O evento começaria 21 horas. Saí do outro lado da cidade às 19 horas (tempo de sobre se não fosse minha mobilidade reduzida, devido a muleta canadense que usava, isso sem falar no trânsito, na chuva...) e cheguei na casa da Cris faltando vinte minutos para o evento. Coloquei a roupa apropriada para o evento – cedida pelo meu grande amigo e pai da Cris Dom Ávila – e fomos. Ao chegar lá quase desanimei. Havia uma fila de espera enorme, mas ao falar com a hostess e aguardar quinze minutos ela nos deixou entrar com uma condição: não pagaríamos, mas sentaríamos no chão. Ao entrar na sala com o filme já começado, logo na primeira fila uma cadeira brilhava e acenava para mim. Sentei-me e perguntei a senhora ao meu lado o tempo do filme; “Acabou de começar” fora a sua resposta. Depois de um maravilhoso filme, fomos para o coquetel. Ao longe vejo aquele que fez com que eu me apaixonasse pela sétima arte. Tive borboletas no estômago. Não tive coragem de falar com ele. Fiquei como aquele menino colegial apaixonado pela menina mais bonita do colégio que todos também o são. Tomei um espumante, andei, parei. Tomei outro espumante, sentei, levantei. Impelido pela Cris, fomos pegar a fila para falar com ele. De repente, vemos um senhor muito distinto e discreto vindo em nossa direção: era ele. Com máquina em mãos, preparei para a foto e o chamei “Don Francis!” no mesmo momento, em meio ao alvoroço de autógrafos e fotos ele me olhou. Tirei algumas fotos, todas ruins, até que olhei para ele e disse: “Man, I study cinema because of you!” pedi para tirar outra foto e ele apenas disse: Thank you! Foi o maior e melhor obrigado que ouvi em toda minha vida.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Poesia desprentendida

Numa conversa com o Dr. Bruno Motta, Tenente Médico do Exército, tive um rápido lampejo e escrevi o a seguinte poesia meio concreta, meio em prosa, meio nada, meio tudo...

tô na área

não na areia

mais próximo da lama

por estar longe da cama

contudo poderia estar em cana

então logo penso:

ah desencana

longe comum senso

queimo as pestanas

da arte a metafísica

de clássicos à renascentistas

empíricos ou modernistas

filosóficos ou filosofistas

.

.

Por isso continuo a acreditar que a poesia nasce de qualquer prosa, a qualquer momento em qualquer lugar... Diferente do texto acadêmico que possui e preza pela construção da palavra.

Não que a poesia não preze por essa construção, mas a poesia como diria Benjamin ao falar de Baudelaire é um tecido, já - na minha opinião - o texto acadêmico é tijolo e cimento. Precisa ser bem forte para que outros não o derrubem...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

As flores de plásticos estão mortas

"A imobilidade das coisas que nos cercam talvez lhes seja imposta por nossa certeza de que essas coisas são elas mesmas e não outras, pela imobilidade de nosso pensamento perante elas." Diferentemente do que diz a banda paulistana, creio que as flores de plástico estão mortas. Tudo o que forma a flor de plástico, bem como quase todo artefato artificial, um dia foi vivo. O que outrora vivia, jaz em ornamentos, artesanatos, roupas, jóias etc... Então, tudo estaria morto na era da reprodutibilidade-pós-fordismo? A resposta a essa pergunta talvez demandaria muito mais reflexão, tempo e espaço do que caberia aqui. De bate-e-pronto posso dizer que isso dependerá de quem a utiliza e manuseia. Isso significa que podemos substituir todas nossas plantas por flores de plástico e todas nossas vestes por folhas de bananeira? NÃO! Isso seria uma inversão de valores totalmente descabida e faria com que o desequilíbrio ambiental aumentasse. Sem falar que não existe algo mais lindo que a flor natural e uma indumentária bem utilizada. A flor... Olhá-la, contemplá-la e fazer junto com ela - mas com a devida proporção ou, em escala maior - o ciclo da vida. Assim como Proust, vejo tudo rodando e se movimentando ao meu redor.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Ponto cego e "No limite estrelado pelos Trapalhões"

Hoje ao ler a versão digital da Folha vi uma crítica hilária. Ria também:

Agora imagine o programa "No limite" estrelado pelos trapalhões! Mas o crítico vai mais longe, acrescenta o Sergio Mallandro e a Dercy Gonçalves! Madonna Achiropita. O pior é que o filme ainda pode virar um cult como vários lixos apresentados pelos "big shots" de hollywood. _______________________________________________________

Muita vez ao olhar no retrovisor não enxergamos quem vem por este estar no "ponto cego" do retrovisor. Isso se não tomarmos o devido cuidado pode causar um grande acidente. O problema não é esse. O problema é quando temos esse "ponto cego" ao olhar para frente... Talvez tenhamos que abrir sempre nossa mente e não deixar de olhar todas as oportunidades.

E então...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Colóquios com Mamma Carina e a Poesia

Mês passado estávamos de férias (Eu e Mamma Carina). Portanto, tivemos a oportunidade de estarmos mais tempo juntos - inclusive no tempo que estive na casa dos Bittencourts em Pouso Alegre. É sempre bom conversarmos, pois ambos crescem, tanto espiritual como intelectualmente. Conversávamos sobre o reacinismo de alguns e, as vezes, somos comos uma voz que clama no deserto. Muitas vezes uma voz solitária em meio a tanto cinismo e hipocrisia. Enfim, falávamos sobre a visita dela à uma cobertura, onde os "reaças" balbuciavam as falácias de sempre. Chegamos a conclusão que a Verdade não atinge as coberturas. Então escrevi o seguinte: A Verdade A Verdade vem do alto Desce como um raio Na mesma velocidade Nem sempre na mesma intensidade Atinge os subterrâneos Vive no underground Muita vez em local não próprio Quase sempre, não está onde deveria deveras Invisível aos míopes Mas Ela sempre está lá Só visível aos "bem-aventurados" Está lá dentro No talvegue da alma No centro do peito Por isso, não atinge as coberturas. Quando mostrei isso a ela, ela pirou! Segundo ela, colocará na página de relacionamentos dela (olha que privilégio)! Mas tudo tem um porém. Na sexta-feira saí com o Profº Dr. André Miatello para uma pizza e todo alegre mostrei a ele o que escrevi e ele disse: "É... Realmente a poesia é a arte de reescrever." ?!?!?!?! Questionei se estava ruim e obtive a resposta: "Bom, depois que você reescrevê-la algumas vezes..." Segundo ele, é necessário ter alguém que critique fortemente o texto, pois assim queremos escrever mais e melhorar o texto. Discordo. Aqui vejo um paradoxo. Ou como diria meu amigo e Profeta Yoshitake "uma dicotomia". Se meu intuito é escrever um artigo acadêmico acredito que a crítica do Miatello é válida. Portanto, como meu intuito é - nesse momento - escrever poesia, a euforia de Mamma Carina é plausível. Não penso que a poesia é a arte de reescrever. Um dos maiores - na minha humilde opinião O MAIOR - poeta de todos os tempos Carlos Drumond Andrade escrevia de bate-pronto a maioria de suas poesias e depois recusava-se até de lê-las. A poesia é livre. A poesia pode ser qualquer coisa, pode ser tudo, exceto a arte de reescrever. Se for para reescrever, faço outra poesia. Por ser arte, é subjetiva, mas se a pessoa gostou ou não, aí é outra coisa.
Arlley Parreira 02/2010

domingo, 1 de novembro de 2009

Túnel do Tempo - Back in the days

Não pude me conter! A muito venho ensaiando para escrever algo nesse blogue, mas agora não tive como evitar. Às vezes (quase sempre), falta tempo, outras, sobra timidez... Pois bem, quinta-feira estava saindo da missa do meio-dia da Igreja de Santa Cecília para almoçar com o Dr. Nuno, meu telefone celular toca: “Alô, Arlley? É o Otto! To em São Paulo...” Madonna Achiropita! Neste mesmo dia nos encontramos a noite. A princípio, foi um encontro formal e frio, mas depois do protocolar “e aí, tudo bem?” abraçamo-nos fortemente. Depois de tentarmos colocar o papo de dez anos e mais ou menos 600 km de distância em dia, fui ver nossa Mãezona a D. Marlene. Aí não agüentei... Quando Ottinho abriu a porta e disse “trouxe uma visita para te ver” desabei! Chorei, chorei e choro agora ao escrever isso, mas chorei de alegria e emoção, como o faço agora. Afinal dez anos não são dez dias! Como é bom ver que as pessoas com quem crescemos progrediram e estão muito bem na vida. Lógico que só pelo Dom da vida, já é estar bem, mas Mãezona e Ottinho estão muito bem! Vivendo próximo à praia D. Marlene tem uma vida saudável e Ottinho casou-se com Alicia (cunhada que ainda conhecerei - quem sabe em janeiro). Ottinho está um pouco mais sem cabelos, mas isso não é sinônimo de estar mal... Na sexta-feira nos encontramos novamente. Só o Otto para conseguir isso! Toda a galera da antiga: Arlley, Otto, Marsal e Leila e Paulo com seus respectivos Fernando e Fernanda. Foi uma viagem no tempo. Lembramos - e rimos - de muitas coisas. Comemos uma pizza na Bela Vista, tomamos uma cerveja e ficamos até a madrugada sentados a porta da antiga Papelaria da Rua Major Quedinho. Como dizia o antigo locutor da Radio Bandeirantes, “a vida é um eterno para frente e para o alto!” Hoje cada um tem sua profissão, família e respectivas responsabilidades, sendo essa última, a responsável pela dificuldade em nos encontrarmos, mesmo que esporadicamente. Saímos de lá com um propósito. O de nos encontrarmos ao menos uma vez por semestre e não foi promessa de cervejeiro! Arlley Parreira 10/2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Cineclube e outras coisas

Ontém foi um dia muito especial... Saí com minha irmã Cristiana para tomar um café e conversar... Colocamos todos assuntos em pauta... Andamos pela Paulista em meio a chuva. Estávamos no hall do prédio dela terminando nossa conversa quando de repente chega Dom Ávila... Madonna Achiropita! Fico muito efusivo quando me encontro com Dom Ávila que carinhosamente chamo de Dom Abade e ele retribui o carinho chamando-me de Dom Prior. Falamos sobre o famigerado (entre os amigos) Cineclube. Uma frase que não poderia deixar de citar quando falávamos sobre a filosofia Dom Ávila me diz "a fiolosofia não é apenas uma abstração metafísica, ela entra na análise dos fatos e valores da existência". Então perguntei: "Alguém disse isso?" então ele "não, simplesmente surgiu agora..." e sorrimos... Dom Ávila me abriu a cabeça. Queria fazer um cineclube caseiro, algo para os amigos enquanto ele quer algo grande, com patrocínio, numa sala de mais ou menos 50 pessoas. Temos agora uma meta, escrever um projeto e falar com alguns amigos para viabilizar esse cineclube. Aguardem. Em breve mais informações sobre o cineclube, bem como data de estréia e local.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Não me contive... vejam isso:
Guerrilheiro armado com um caderno recheado de explosivo plástico se prepara para atirá-la nos PMs.

Guerrilheiro pesadamente armado com um caderno recheado de explosivo plástico se prepara para atirá-lo nos PMs.

http://hariprado.wordpress.com/2009/06/09/debelado-foco-guerrilheiro-na-usp/

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Nossa vida é um eterno nadar contra a corrente...

Nossa vida é um eterno nadar contra a corrente... Neurologistas afirmam que o mais importante dos órgãos prefere a estagnação, por isso, quando queremos colocá-lo para funcionar ele responde negativamente. Quando queremos ler um livro (sobretudo para estudo), temos sono; quando queremos sair do sedentarismo e exercitar o corpo, este responde como se o tivéssemos agredindo, como se fôssemos loucos ao começar quaisquer atividades; o pior ocorre quando queremos parar um pouco para uma oração, aí a preguiça impera. Dráuzio Varela disse que querer ativar o cérebro é lutar contra si mesmo, que é praticamente loucura. Quer dizer que viveremos a vida inteira nessa insana luta contra o próprio ser? Machado disse que na luta entre a razão e a sandice, apesar da eterna insistência da sandice em querer “ficar mais um pouquinho”, a razão sempre vence. José Saramago diz que não é bom o homem conviver com seu senso comum, é perigoso. Então, como nos direcionar a respeito desse eterno combate interno do bem contra o mal, neste paradoxo constante? Certa vez conversava com meu padrinho e ele me dizia que nossa vida é uma escada rolante sempre andando para baixo e, se ficamos parados, ela tende a nos levar cada vez mais para o buraco. Só para variar, a princípio discordei, mas depois... concordei. Concordei por perceber que o mundo está em movimento e se pararmos ele nos atropela. Dois mil e oito foi assim. Quase me atropelou e me esmagou como o trator faz com o piche. Quis parar, desistir de tudo. Ia desistir do trabalho, de fazer mestrado, da vida. Pensei até em me tornar um eremita e ir para o deserto... O que me ajudou muito foi a direção espiritual, minha família (sempre presente) e meus amigos (a família que Deus me permitiu escolher). Felizmente, para nós Cristãos, existe outro fator: a Fé. Logo na introdução da Encíclica Fides et Ratio, o Papa João Paulo II disse que “fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, (...) possa chegar também à verdade plena sobre si próprio Portanto, apesar de “cabeças-duras” temos “corações-moles” e, se confiarmos em Deus em todos os momentos, principalmente nos mais difíceis, pois se não fosse o encontro diário com Nosso Senhor, teria feito tudo aquilo que citei anteriormente. Mas Deus é Deus... Não é que colocou tudo no lugar? Deu-me uma família maravilhosa, os amigos certos no lugar certo, até arrumou uma especialista em coração para cuidar do meu, ainda por cima enfermeira... Graças a Deus não tenho só a razão e a sandice para pelejarem um espaço na minha vida ou senso comum para recusar-me a convivência. Tenho a Fé, que aliada a tudo isso me dá uma vida em plenitude. Arlley Parreira 02/2009

A vida II

Este texto foi escrito a muito (dez/2008), porém só agora o revisei e coloco-o aqui. Falar da vida, muita vez não é fácil, pelo menos não da nossa. Talvez, por isso, esteja na moda falar da vida alheia. Mas quem cria um blog o faz para falar de si, do mundo, da vida, então vamos lá, não é? Na última conversa com meu diretor, chegamos à conclusão que sou suscetível ao “jogo da sedução”. Como ele me disse “às vezes nem para ganhar ou perder, mas só por jogar”. A princípio achei meio estranho, mas depois comecei a pensar “É verdade, sou mesmo!” Então comecei a imaginar... Todos nós somos! A sedução está em todos os momentos da nossa vida. O problema é: Quando nos rendemos a ela. A ela ou a elas? A sedução, apesar de ser uma palavra num estrito sentido (geralmente correlacionada ao sexual), nos aparece de diversas formas. O homem (lê-se raça humana) é néscio por ignorar sua própria existência. Quer de qualquer maneira competir com o outro, quer ser melhor, quer, como dizia Nietzsche, por causa do ciúme e da inveja, “aparecer”. Mas não somos feitos para isso. Aqui já aparecem duas seduções: o ciúme e a inveja. Se olharmos no “Michaelis” o significado de ciúme está ligado diretamente a “competição no amor”, mas se Deus é “O Amor”, como pode haver competição n’Ele? A inveja segundo o “Houaiss” é o “lançar mal olhado a outrem”. Contudo, se somos cristãos, como fazemos isso, quando na verdade deveríamos ter desprendimento? Aliás, vemos diariamente nos noticiários a que conseqüências podem chegar o homem por causa desses sentimentos. Disse que somos constantemente seduzidos, pois somos mesmo! Somos seduzidos a manter nossa mente parada e não elaborar nada (coisa que os dignitários das nações amam! – tanto que não façamos como o “não fazer”), somos seduzidos a comer mais do que precisamos, a descansar mais do que necessitamos, enfim somos sempre seduzidos... A questão de ser seduzido é praxe para nós e sabemos disso, aliás, muita vez fingimos não saber e achamos que é conquista nossa algo que fazemos, mas na verdade nossa maior conquista foi lutar contra essa sedução a inércia, ao relaxamento, etc. Aqui entra o que eu falei sobre o “jogo da sedução”, às vezes nem para ganhar ou perder, só por jogar. O problema é que essa sedução muitas vezes é muito mais forte que nós! Quem nunca falou “vou dormir mais dez minutinhos” e acaba por dormir mais uma “horinha”? Quem, ao ver uma sobremesa super deliciosa e igualmente calórica, nunca falou “ah só mais um pedacinho” e comeu quase a sobremesa inteira? Muitas vezes preferimos nos narcotizar frente à Televisão (o maior ópio do mundo), ao invés de ler um livro. Quantas vezes por mês pegamos o Livro dos Livros para ler? Pelo hedonismo seguimos outra religião, a da academia. Quantas pessoas você conhece que não acorda cedo para ir à missa, mas o faz para ir à academia ou correr? Só pensamos em nós mesmos e não somos mais próximos dos nossos próximos. O egoísmo não nos deixa enxergar quantos Cristos estão a nossa volta, seja Ele no pobre, nos pequeninos, no encarcerado, no que sente fome e sede e, nem sequer olhamos nos olhos deles e dizemos um simples “oi, tudo bem com o senhor?”? É lógico que tudo isso tem lá o seu atrativo, como dizia Santo Agostinho “o poder de dominar e comandar tem sua sedução” Então, sigamos o doutor que renunciou a todas as seduções para tornar ao Senhor: “Ouve, Senhor, a minha prece, (...) em confessar os atos de misericórdia que me arrancaram de péssimos caminhos; para que sejas, para mim, mais atraente do que todas as seduções que eu seguia, e assim eu te ame imensamente e te segure a mão com todas as forças de minha alma, e me livres de toda a tentação até o fim.” (Santo Agostinho, Confissões) E façamos tudo isso de coração aberto para que passemos pela porta estreita e não ouvir do Senhor: “Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!” Arlley Parreira 12/2008

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Completo

Nesses pequenos versos tentei exprimir meus sentimentos de estar longe de uma mulher muito especial que está em Campinas Estou em SP Mas um pedaço de mim está em Campinas Talvez o coração Não! Não só o coração... Sinto-me incompleto Porém completo Existe alguém que me completa Existe alguém em que penso nela 24 horas por dia Quiçá ela esteja pensando em mim agora Depois E mais tarde... Assim estaremos sempre em sintonia. Não consigo não pensar Seus cabelos Seus lábios Seus olhos O penteado O sorriso O brilho Arlley Parreira 01/2009

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O mundo para mim Quando eu era pequeno, O mundo era grande pra mim Coisas que chegavam a dar medo Mas nem tanto assim Os batentes pareciam portais Mãos grandes de meus pais No formato de concha Enchiam por completo minha boca A bola da altura da minha perna Que me confundia e derrubava O brinquedo que era o mundo Cresci O mundo continua grande pra mim Às vezes nem tão grande assim Ora o brinquedo é o mundo Ora o mundo é brinquedo

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A VIDA

Muitas vezes paramos para observar nossa vida e num instante, de acordo com as experiências vividas, coisas que aprendemos, comparamo-nos a algo. Não obstantes, pensamos ser o excremento da mosca do cavalo do bandido... Já em outras ocasiões, acreditamos que somos um super herói (como se eles existissem). Então se percebe que tudo o que fazemos é idealizar. Idealizamos nossa vida e não realizamos e, de tanto idealizarmos, batemos com a cara no muro por não estar com os olhos abertos para a realidade. Não existe mulher ideal, não existe o homem ideal, não existe o emprego ideal, enfim, existe o real. Numa longa conversa Irmão Camilo (que muitas vezes perde toda a tarde de domingo conversando comigo) me falava que gostamos de nos sentir “o excremento da mosca do cavalo do bandido”. Gostamos de nos sentir “coitados”, que -a exemplo da personagem do filme “L’armata Brancaleone”- gostamos de repetir inúmeras vezes batendo no peito “mea culpa, mea culpa, mea culpa!”. A princípio discordei, mas depois cedi à idéia a princípio tão estapafúrdia de Irmão Camilo, que usou de um argumento que não tive como refutar: “Arlley, a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Ainda na questão das comparações, hoje vejo minha vida como se fosse um velho de 99 anos ou uma criança de 6 anos de idade, ambos são extremamente sozinhos porém curtem a vida ao máximo e cada um ao seu modo. A criança está por descobrir o mundo e ela e o mundo, como diz Nietzsche (também lembrado por Ir. Camilo), são uma coisa só, toda aquela coisa lúdica dela ser parte do mundo e o mundo ser parte dela. Já o velho de 99 anos já conhece muito coisa, já viveu muita coisa e é um ser totalmente separado do mundo e por mais que ao longo dos anos tenha feito amigos, constituído família, conquistado mulher, etc., ele já se sente “fora do mundo”. Portanto dois seres que não precisam de ninguém para viver, vivem só, embora acompanhados. E assim, seguiremos o conselho do Nosso Senhor (e do meu diretor também): andemos pelos prados e campinas e esperar o Senhor falar-me no coração... Arlley Parreira 09/2008

Eu Não Sou Igual

Poema que escrevi em 05/2004 para tentar explicar o ser inexplicável (o ser humano) Eu não sou igual Sou animal racional Unívoco desigual Muitas vezes irracional Contudo, não sou mau Dou valor ao sal Não sou o que fica na cal Nem curto “tititis” e coisa e tal Eles tendem para o mal Prefiro dizer tchau!